A dança contemporânea também abriga um Grupo Avançado de Dança Contemporânea que representa a cidade em inúmeros festivais de dança nacionais e internacionais. Coordenado pela Professora Ivana Deeke Fuhrmann, que é a coreógrafa residente do grupo, o mesmo já alcançou cerca de 80 premiações. Com o intuito de estar sempre atualizado e fazer um trabalho de ponta, em vários momentos o grupo tem trabalhado também com coreógrafos convidados para que o elenco amplie suas experiências. Com esse objetivo trouxemos no ano de 1995 a professora Sílvia Kaehler do Treato Colón de Buenos Aires, para ministrar oficinas, bem como a coreógrafa paranaense Maria Tereza Amorin Consentino para desenvolver trabalhos coreográficos. Em 2002 tivemos o coreógrafo e professor Henrique Talma para ministrar cursos e desenvolver trabalhos coreográficos. Em 2007 o coreógrafo Wald Oliveira desenvolveu trabalhos coreográficos de grupo e criou um solo especialmente para a bailarina Jeane Beatriz Franz Civiero. Nos anos de 2007 e 2008, foi realizado o curso de nível intermediário e adiantado com a coreógrafa e professora Adriana Salomão, do Rio de Janeiro. No mês de março de 2010, foi realizado o curso de nível adiantado e atualização de conteúdo da Dança Contemporânea com a professora e coreógrafa Ana Andrea, do Rio de Janeiro.
Destacamos ainda a relevância do trabalho desenvolvido pelas professoras Ivana Deeke Fuhrmann e Jeane Beatriz Franz Civieiro, na formação contínua e apurada de bailarinos contemporâneos que além de dançarem no Grupo de Dança Contemporânea da escola, muitos deles integram a Cia Experimental Pró-Dança.
"A dança contemporânea não é somente uma arte que permite à alma humana se exprimir em movimentos, é também a base de toda uma concepção de vida mais flexível, hamoniosa e natural." (Hannelore Fahibusc)
Um pouco de história - A dança moderna surgiu no século XX, considerada um fator essencialmente americano. Após a década de 60, expandiu-se pelo mundo inteiro, inicialmente encontrou solo fértil na América e na Alemanha. A dança moderna é uma reação aos rigores do classicismo, caracterizando-se pela liberdade de movimentos e expressão buscando maior identidade entre o palco e a platéia.O gênero não apresenta terminologia tão definida como o ballet clássico, as suas bases baseiam-se na técnica clássica, contudo busca maior ousadia e novas formas, além da constante pesquisa de novos caminhos para a expressão através do movimento.
A americana ISADORA DUNCAN foi pioneira na criação desta nova forma de dança, seguida por Mary Wigmann, Martha Graham, Doris Humphrey e Rudolf Laban, entre outros.
A técnia de dança moderna com passar dos anos foi dando espaço ao estilo contemporâneo, ainda mais inovador enfocando a pesquisa de movimentos em seus 04 componentes: peso, tempo, espaço e dinâmica.
Aulas - Nas aulas de dança contemporânea os bailarinos praticam exercícios no chão, barra e centro utilizando-se bastante do tronco e descentralizações, e dançam com os pés descalços. É muito importante lembrar que não existe só uma técnica, e sim, várias linhas, sendo que o básico não muda (pés descalços, descentralizações, contrações, volume, tema coreográfico, uso da energia, posições en dehors, paralelas, contrastes de ânimo, improvisações e desconstruções).
Em sala de aula cada professor coloca de seu individual, vivências e adaptações à turma, tendo sempre o movimento abordado nos 04 componentes: peso, tempo, espaço e dinâmica.
Sendo este gênero uma forma de dança com maior liberdade de movimento, deve-se ter o necessário cuidado para não prejudicar a beleza das formas, linhas e de equilíbrio estético.
A prática da dança contemporânea proporciona ao aluno o desenvolvimento da coordenação motora, conscientização corporal, postura, sociabilização, conhecimento e entendimento próprio e com o meio, maior autoconfiança e auto-estima, desinibição e criatividade.
Quer saber mais sobre Dança Contemporânea? - A busca pela apropriação da cultura e o gosto pela arte, nesse caso a dança, também podem ser incentivadas e aprofundadas com a leitura de livos de dança e a frequência em espetáculos de dança. Na sequência sugerimos boas dicas...
Companhia, Grupos e Coreógrafos de Dança Moderna e Contemporânea
GRUPOS |
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Grupo Corpo de Belo Horizonte |
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Grupo de Dança Cisne Negro |
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Ballet Stagium |
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Companhia de Dança Martha Grahm |
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Companhia de Dança Débora Colker |
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Companhia Sociedade Masculina |
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Cena 11 Companhia de Dança |
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Stacatto Companhia de Dança |
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Raça Companhia de Dança |
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Ballet do Amazonas |
COREÓGRAFOS |
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Mário Nascimento |
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Luis Arrieta |
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Rodrigo Pederneiras |
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Débora Colker |
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Décio Otero |
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Marika Gidali |
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Ivonice Satie |
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Anselmo Zolla |
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Oscar Araiz |
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Henrique Rodovalho |
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Dany Bittengourt |
Bibliografia recomendada:
ACHAR, Dalal. Ballet, Arte, Técnica, Interpretação. 1980. Rio de Janeiro: Cia Brasileira de Artes Gráficas, 1980. 472 p.
ALMEIDA, Célia Maria de Castro. Concepções e práticas artísticas na escola. In: FERREIRA, Sueli. O ensino das artes: Construindo caminhos. Campinas, SP: Papirus, 2001. p. 11-38.
COCCARO, Luciane Moreau. Composição coreográfica. Canoas, RS: Ed. ULBRA, 2005. 148 p.
FAHLBUSCH, Hannelore. Dança: moderna - contemporânea. Rio de Janeiro: Sprint, 1990. 143 p.
FARO, Antonio José. A dança no Brasil e seus construtores. Rio de Janeiro: FUNDACEN, 1988. 115 p.
______. Pequena história da dança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986.
FARO, Antonio José; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de Balé e Dança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1989.
FERNANDES, Ciane. Pina Bausch e o Wuppertal dança-teatro: repetição e transformação. São Paulo: Annablume, 2007.
LEITE, Maria Isabel. Educação e as linguagens artístico-culturais: processos de apropriação/fruição e de produção/criação. In: FRITZEN, Celdon; MOREIRA, Janine. Educação e Arte: As linguagens na formação humana. Campinas, SP: Papirus, 2008. 158 p.
LOBO, Leonora; NAVAS, Cássia. Arte da Composição: Teatro do Movimento. Brasília: LGE Editora, 2008. 201 p.
MARKONDES, Elaine de. O movimento que se especializa e dança. Lições de dança. Rio de Janeiro, n. 3, p. 127-137, 2001.
MARQUES, Isabel. Dançando na Escola. 3 ed. São Paulo: Cortez, 2006. 206 p.
______. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 1999. 126 p.
______. Educação e Cultura: reflexões sobre a dança na cidade. In: MEYER, Sandra; TORRES, Vera; XAVIER, Jussara (Org). Coleção Dança Cênica: Pesquisas em Dança: v. I., Joinville: Letradágua, 2008. p. 49-58.
MOMMENSOHN, Maria; PETRELLA, Paulo. Organizadores. Reflexões sobre Laban, o mestre do movimento. São Paulo: Summus, 2006. 276 p.
MOROZOWICZ, Milena. Vida em Movimento:Técnica de Movimento Milena Morozowicz. Curitiba: Movimento editorial, 1996. 102 p.
PORTINARI, Maribel. História da dança. 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989. 340 p.
SILVA, Eliana Rodrigues. Dança e pós-modernidade. Salvador: EDUFBA, 2005.
A Dança Contemporânea e a Composição Coreográfica
Por Ivana Deeke Fuhrmann:
Coreografia são criações sequenciais, sucessivas e com alternâncias das formas e movimentos dentro de um espaço temporal com trajetórias no espaço físico concretizando e desenvolvendo formas e configurações espaciais para veicular mensagens. Pela expressão e comunicação do corpo, as mensagens são veiculadas pelo vocabulário formal ou não convencional da dança. Não existe receita para coreografar, cada coreógrafo com sua obra constrói suas regras, uns escolhem um tema e depois buscam os complementos como música e estilo de linguagem corporal, outros se inspiram através da música, por exemplo. Entretanto a criatividade deve estar sempre presente e o trabalho deve ser desenvolvido com consciência respeitando aspectos básicos da dança.
Criatividade é o processo de descobertas que permite ao ser humano, a partir de dados conhecidos, chegar aos desconhecidos pela simbolização de aspectos formais imaginados produzido pela observação, percepção e experimentação com possibilidades de alcançar o novo. A imaginação é a fonte da criação. Criar, portanto, envolve a consciência de conhecimentos anteriores e a ação de pensar, perceber, experimentar e concretizar em cima de um fato, uma nova forma de transformar o antigo em novas possibilidades representativas.
Basicamente o processo criativo desenvolve as seguintes etapas (não necessariamente nesta ordem):
1. Ideia: consiste no motivo, tema, situação que desejamos representar e transmitir. Sabemos que todo o comportamento humano expressivo é sempre destituído de significado fora de seu contexto cultural, pois a cultura desempenha um papel importante no dimensionamento humano da comunicação e expressão. A criação da arte coreográfica é, portanto, expressão da dimensão humana do artista aliada as influências do contexto sócio-cultural onde este está inserido. A coreografia foi, e será sempre, contextualizada. O significado não pode ser coerentemente deixado como independente de qualquer forma de expressão, seja ela qual for. O coreógrafo precisa ver as referências culturais, nível dos bailarinos, para que propósito se destina.
2. Improviso: a improvisação serve para produzir novo vocabulário ou conectar de uma forma nova coisas já existentes. É uma dança espontânea, aonde os movimentos vão surgindo, se revelando, apoiando-se na inspiração do momento. Improvisando executamos e originamos simultaneamente. Tanto o coreógrafo quanto os bailarinos que irão interpretar a coreografia devem improvisar. O coreógrafo observando a improvisação dos bailarinos pode resgatar o movimento instintivo de seu bailarino. “... Nunca deixei de buscar no intérprete o movimento de cada um...” (Pina Bausch). A improvisação serve ao bailarino como exploração das diferentes expressões corporais e seus significados.
3. Seleção: O coreógrafo através das vivências que experimentou ou observou, começa a alinhavar as frases de movimentos. É o momento onde ele deve reter o movimento espontâneo escolhendo as expressões motoras, relações espaciais e dinâmicas. Neste momento é fundamental experimentar o movimento nos seus quatro fatores. O peso (força), tempo (duração do movimento), espaço (lugar) e fluência (expressão do movimento) devem ser rápido ou mais lento, dividindo ou dobrando o ritmo musical, qual a localização dos bailarinos no espaço cênico e em que nível excetuar o movimento, qual é a expressividade que queremos dar a este movimento. Os movimentos precisam fluir entre o tempo, o espaço e o peso para poderem atingir uma integração harmoniosa. O fator fluência existe por si só assim como está presente em cada fator do movimento. A dinâmica é o resultado da combinação dos três fatores do movimento.
4. Estruturação: Organização dos movimentos e bailarinos num todo orgânico e coerente. É formatar as frases de movimentos objetivando o inter-relacionamento entre movimento e expressão.
5. Afinação: a coreografia vai tornando-se cada vez mais fluída, através dos ensaios e possíveis adaptações. É o momento onde definimos a iluminação (a ser utilizada quando o trabalho for para o palco), bem como o figurino.
Lembramos, pois que é ao bailarino que cabe a responsabilidade de dar vida à obra, sendo da qualidade da prestação motora aliada à expressividade que depende a qualidade da transmissão da obra. O instrumento do coreógrafo (criador) é o corpo do bailarino. Este deve apresentar disponibilidade corporal (técnica) e emoção na interpretação. A dança deve ser desenvolvida considerando o bailarino na sua totalidade, com corpo e alma integrados, respeitando-o como um ser psicológico. A dança é muito mais do que técnica e forma. É emoção, é vida.
O processo criativo está ligado ao processo de desenvolvimento, maturação e evolução do bailarino/coreógrafo e das capacidades simbólicas. Estes fatores, acrescidos ao domínio dos instrumentos (corpo) e dos meios (técnicas), assim como da integração das experiências culturais e dos códigos existentes, conduzem à produção do objeto artístico (coreografia). A decisão sobre o que ou como coreografar é de inteira responsabilidade do coreógrafo, assim como a estruturação e desenvolvimento da sua obra, apesar de estes estarem sujeitos a aspectos básicos da dança.
A coreografia, aporte da dança, procura transmitir um estado de espírito, uma maneira de se ver ou de ver o mundo, enfim, expressar-se e comunicar-se pela linguagem corporal. Trabalhando com consciência e criatividade, respeitando os princípios básicos da composição coreográfica, encontraremos a qualidade, ou seja, a procura e elaboração das formar práticas de interpretação do projeto é que transformam idéias em movimentos, suscetíveis de serem abstraídos e de se tornarem símbolos de arte, e estes em objetos artísticos passíveis de serem partilhados e de se inserirem na realidade criativa e dinâmica da sociedade. |